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O término do incentivo à compra do carro zero concedido através da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) não afetou as vendas de automóveis e comerciais leves nos primeiros 15 dias de abril, segundo balanço divulgado nesta semana pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Na primeira quinzena deste mês, foram comercializadas 149.419 unidades, volume 13,49% maior do que o registrado no mesmo período de março e 24,61% superior quando comparado ao mesmo intervalo de 2009. Segundo especialistas, o resultado se deve, principalmente, à oferta de crédito ao consumidor.
Fiat perto de novo recorde
No período, a Fiat Automóveis, instalada em Betim, manteve a liderança do mercado nacional, com 22,2% de participação, também segundo a Fenabrave. No caso da montadora italiana, as vendas cresceram 10,7% na primeira quinzena de abril em relação aos primeiros 15 dias de março. Quando comparado ao mesmo período de 2009, a expansão é de 7,6%,
De 1º de janeiro a 15 de abril de 2010, a Fiat vendeu cerca de 200 mil automóveis e comerciais leves no país. Isto significa que a fabricante está próxima de bater o recorde alcançado no primeiro quadrimestre de 2009, quando comercializou cerca de 210 mil unidades.
Ritmo acelerado
A perspectiva de quebra de novo recorde pela Fiat é creditada à elevação do ritmo de trabalho na montadora. Apesar de um acordo assinado em 18 de março ter assegurado a contratação de mil trabalhadores na fabricante italiana e na Powertrain – fabricante de motores que opera no interior de seus galpões –, as horas extras não foram eliminadas. "Atualmente, são oito horas semanais adicionais de trabalho, em média, além da jornada legal de 44 horas", avalia Marcelino da Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim.
De fevereiro – mês em que produziu, em média, 2.871 carros/dia – para março, o aumento da produção na Fiat chegou a 6,4%. No mês passado, foram produzidos 3.055 carros/dia.
O presidente do Sindicato critica o expediente adotado pela montadora e diz que se a produção permanecer em elevação a entidade defenderá novas admissões. "É um problema porque o trabalhador se acostuma com um salário falso", declarou há poucos dias ao Portal IG.
Segundo a mesma reportagem, a prática adotada pela Fiat tem sido reproduzida em praticamente todas as montadoras brasileiras e foi admitida pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.
Para se ter uma ideia, em março, a indústria automobilística brasileira produziu 331 mil automóveis, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2009. No mesmo período, o emprego cresceu apenas 4,7%.
No mês passado, as fabricantes empregaram 127,8 mil trabalhadores, contingente ainda abaixo do apurado antes da crise financeira mundial, quando o total havia atingido 131,7 mil postos de trabalho.
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