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Marcelino da Rocha é eleito presidente da FIT Metal
02/06/2010

Marcelino da Rocha, presidente do Sindicato, foi eleito na última terça-feira, 1º, primeiro presidente da Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (FIT Metal). Estiveram presentes à fundação da entidade, realizada no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, cerca de 300 metalúrgicos de sete estados brasileiros: Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A FIT Metal reúne sindicatos de metalúrgicos filiados à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e à Central Geral dos Trabalhadores Brasileiros (CGTB) e é filiada à União Internacional Sindical dos Metalúrgicos (UIS Metal) e à Federação Sindical Mundial (FSM).
“Era fundamental que os metalúrgicos representados pela CTB e pela CGTB tivessem este instrumento de luta, para que não permanecessem sem voz nas questões nacionais”, afirmou Rocha em seu discurso de posse. “O Brasil vive um momento ímpar e, para além de consolidar os direitos imediatos da classe operária, o movimento sindical quer influenciar os rumos políticos do país”.
Durante a solenidade foram aprovadas cinco moções: de apoio ao fim do Fator Previdenciário e para que Lula não vete o texto aprovado no Congresso Nacional que também corrige em 7,72% o valor dos benefícios pagos a aposentados e pensionistas que recebem acima do salário mínimo; em defesa do acordo nuclear assinado pelo Irã com a mediação dos governos brasileiros e turco; em solidariedade à Palestina e em repúdio ao recente ataque de Israel à embarcação que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza; de protesto contra o embargo norte-americano a Cuba; e em apoio ao Decreto 4887, que regulariza as áreas habitadas por remanescentes de quilombos, alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo Partido Democratas (DEM).
O plenário também aprovou o apoio da FIT Metal à pré-candidata Dilma Rousseff (PT) e elegeu a primeira diretoria da entidade, composta de 41 membros.
Na entrevista a seguir, Rocha fala do papel que a FIT Metal terá daqui para frente e da meta de combater as disparidades existentes atualmente entre os diversos pólos metalúrgicos do país, particularmente os que concentram indústrias automobilísticas. 

 

Atualmente, a categoria metalúrgica já é representada no país por duas confederações – CNM, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e CNTM, ligada à Força Sindical. Por que criar mais uma?
Durante o debate em torno da extinção do Fator Previdenciário, tanto a CNM quanto a CNTM se mostraram favoráveis à adoção da Fórmula 85/95 em substituição à regra atual. Os sindicatos filiados à FIT Metal, por sua vez, que defendem a derrubada pura e simples do Fator, sem a imposição de uma nova regra, não tiveram a oportunidade de manifestar a sua opinião no momento oportuno. Recentemente, também fomos excluídos de outros debates importantes, como o que tratou da redução do IPI para a indústria automobilística como medida anticíclica de combate à crise mundial. É fato que as centrais sindicais participaram destas discussões, mas não os metalúrgicos hoje filiados à FIT Metal. Seremos, portanto, uma voz que vem se somar às demais para garantir maior pluralidade de ideias no debate das questões que interessam ao país e, particularmente, aos trabalhadores.


Quantos metalúrgicos serão representados pela FIT Metal?
Cerca de 350 mil metalúrgicos, com destaque para os que trabalham em montadoras, autopeças e na indústria naval.


Em que frentes a FIT Metal deverá atuar em um primeiro momento?
De início, temos como objetivo unificar a agenda de lutas da categoria em nível nacional com os metalúrgicos da CNM e CNTM, seguindo o exemplo das principais centrais sindicais do país, de que deu prova a Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, realizada na última terça-feira. Uma das prioridades será a luta pela elaboração de um contrato coletivo nacional de trabalho para o ramo metalúrgico, para eliminar as disparidades hoje existentes entre os diversos pólos metalúrgicos do país, particularmente os que concentram indústrias automobilísticas. Outra prioridade será trabalhar pela eleição de um novo governo que dê continuidade a todo o esforço realizado nos últimos oito anos pelo presidente Lula, conforme resolução aprovada durante a fundação da FIT Metal.

 

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