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As negociações da Campanha Salarial Unificada 2010 começaram diferentes na prática, mas iguais no conteúdo: desta vez, em reunião ocorrida na Fiemg,
no último dia 2, os patrões não apresentaram um calendário de negociações como sempre fazem, mas jogaram logo sobre a mesa de reuniões uma proposta econômica muito aquém das reivindicações dos cerca de 250 mil metalúrgicos de todo o estado, representados, nas negociações, pela Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT), Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de MG e a Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (FIT Metal), à qual, aliás, nosso Sindicato é filiado.
A proposta patronal, que será avaliada pelos trabalhadores da categoria em assembleia marcada para o próximo dia 12, no Clube dos Metalúrgicos (veja abaixo), prevê reajustes que variam de 4,45% a 4,60% e salário de ingresso de R$ 578,60, mas não toca em questões cruciais para os trabalhadores, como aumento real de salários, abono, garantia de emprego e redução da jornada de trabalho.
Contraste
Para o presidente do Sindicato, Marcelino da Rocha, a proposta patronal contrasta negativamente com os dados mais recentes que já começam a pipocar na imprensa, dando conta de que a venda de veículos em agosto, que também incluem ônibus e caminhões, já é a segunda maior da história do setor, com a comercialização de 312, 8 mil carros novos, perdendo apenas para março, último mês em que vigorou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ocasião em que foram vendidas 353,7 mil unidades.
A proposta da Fiemg também segue na contramão das informações divulgadas na sexta-feira (27), segundo as quais a indústria automobilística brasileira já havia ultrapassado a barreira dos dois milhões de veículos vendidos e licenciados no mercado – a continuar nesse ritmo, caso supere a marca de 3,3 milhões de veículos vendidos este ano, o Brasil irá se consolidar como o quarto maior mercado mundial.
“Estas informações revelam que o setor automobilístico brasileiro continua a viver um boom de crescimento, o que só reforça ainda mais a necessidade da luta dos metalúrgicos por um piso salarial digno, aumento real, abono e a redução da jornada de trabalho, afinal, o ritmo de trabalho nas fábricas continua intenso”, orienta, fazendo referência ao slogan central da Campanha Salarial Unificada 2010: “Com crescimento tem que ter aumento”.
“Os metalúrgicos sócios e não sócios sempre esperam uma resposta satisfatória da entidade em relação às suas reivindicações. Agora é momento, portanto, de darem sua contribuição para que a luta da Campanha Salarial seja vitoriosa. Temos certeza de que uma assembleia lotada de metalúrgicos é o primeiro passo para que o rumo das negociações seja modificado e o resultado final da campanha mais satisfatório”, recomenda.
Momento favorável
O presidente do Sindicato lembra que a Campanha Salarial deste ano ocorre simultaneamente a outro importante momento vivido pelo país, as eleições presidenciais. Para Marcelino, o cenário atual vislumbra fortemente a possibilidade de vitória da candidata Dilma Rousseff, que encabeça uma aliança de partidos liderada pelo PT, o que reforça a compreensão de que o governo do presidente Lula é aquele que mais beneficia e valoriza a classe trabalhadora do país.
“A situação para os trabalhadores é tão favorável a novas conquistas que, recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações revelando que a economia brasileira cresceu 8,9% no primeiro semestre do ano, melhor desempenho histórico do período desde 1996”, ressalta.
“Este mesmo sentimento, de lutar pelo reconhecimento e valorização do seu trabalho, é que consideramos ser necessário por parte dos trabalhadores da nossa categoria”, recomenda Marcelino. “Os metalúrgicos devem abraçar as reivindicações da Campanha Salarial com a mesma intensidade com que entendem a necessidade de eleger uma candidata que irá dar continuidade ao projeto de crescimento econômico do país, com a geração de renda e empregos, soberania com democracia e inclusão social”, acrescenta, ressaltando que atitude semelhante deve ser adotada em relação às eleições para o governo de Minas. “Nosso estado precisa seguir a mesma rota de crescimento do Brasil, afim de que os trabalhadores gozem de melhores condições econômicas e sociais e deixem de conviver diariamente com a presença ostensiva de policiais militares nas portarias de empresas quando se reúnem para defender suas reivindicações”, completa o presidente do Sindicato.
ASSEMBLEIA
DIA 12 DE SETEMBRO (DOMINGO), ÀS 10 HORAS,
NO CLUBE DOS METALÚRGICOS
(Rua Cuiabá 190, bairro Niterói, em Betim)
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