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Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais não aumentará o custo total de produção nem reduzirá a competitividade das empresas. Isto porque o custo com salários no Brasil é muito baixo quando comparado ao de outros países.
Segundo o Dieese, o custo da mão de obra manufatureira no Brasil é inferior a US$ 6, enquanto no Reino Unido é de quase US$ 30 e, na Alemanha, está próximo de US$ 38. “O peso dos salários no custo total da produção no Brasil é baixo, em torno de 22%. Uma redução de 9,09% na jornada representaria um aumento no custo da produção de apenas 1,99%”, apontou o Dieese em nota divulgada no último dia 12.
A medida, ainda segundo o Dieese, também irá contribuir para elevar a qualificação do trabalhador. “A redução da jornada de trabalho liberaria mais horas para que o trabalhador tivesse melhores condições de se qualificar”, acrescenta a nota.
Descompasso
A falta de mão de obra qualificada é apontada pela indústria como a principal razão para o atual descompasso entre a oferta e a procura por empregos. Segundo estudos, até 2014, será necessário formar aproximadamente três milhões de trabalhadores por ano para evitar que o problema se agrave.
O desequilíbrio aumentou em 2009, provocado pela nova onda de investimentos na economia e pela exigência de maior qualificação em virtude dos avanços tecnológicos.
A escassez de mão de obra qualificada fez, inclusive, com que o país batesse recorde de sobra de vagas no mercado de trabalho formal em 2009. Dados sobre o desempenho do Sistema Nacional de Empregos (Sine) revelam que, embora a oferta de vagas tenha sido a maior da década – 2,7 milhões –, 1,661 milhão de postos de trabalho oferecidos pelas empresas não foram preenchidos.
A taxa de preenchimento ficou em 39%, ante 42%, em 2008, e 48%, em 2007. O indicador leva em conta a relação entre o número de vagas disponíveis na rede e o total de pessoas que conseguiram colocação através do sistema público.
O principal motivo para o não preenchimento dos postos é a falta de qualificação da mão de obra, o que compreende baixo nível de escolaridade, carência de preparo técnico e pouca experiência. O excedente foi registrado tanto em profissões de nível superior quanto em atividades que exigem menor escolaridade, mas necessitam de conhecimento técnico.
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