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A crescente participação feminina no mercado de trabalho e o fato de um número cada vez maior de mulheres ser responsável pelo sustento familiar não tem feito reduzir as desigualdades de gênero no Brasil. É o que aponta documento divulgado na última quarta-feira, 3, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.
Segundo a OIT, entre 1998 e 2008, a proporção de mulheres “chefes de família”, ou seja, que são as principais responsáveis pelo sustento do lar, subiu de 25,9% para 34,9% - percentual superior, portanto, a mais de um terço das famílias brasileiras. No mesmo período, também aumentou de 4,4% para 5,9% o número de mulheres que respondem sozinhas pelo cuidado dos filhos.
Apesar disso, são as mulheres, sobretudo as de origem negra, as mais penalizadas pelo desemprego. Em 2008, a taxa alcançou 10,8% para mulheres negras e 8,3% para brancas. Já no caso dos homens, os percentuais atingiram 5,7%, para negros, e 4,5%, para brancos.
“As mulheres - principalmente as mulheres negras - possuem rendimentos mais baixos que os dos homens e, ainda que em média tenham níveis de escolaridade mais elevados, seguem enfrentando o problema da segmentação ocupacional, que limita seu leque de possibilidades de emprego", destaca o documento da OIT.
“A vida como ela é”
O estudo da OIT revela ainda que homens ocupados consomem 9,2 horas por semana com afazeres domésticos, enquanto mulheres ocupadas dedicam 20,9 horas para a mesma finalidade. Com isso, apesar de a jornada semanal média das mulheres (34,8 horas) ser inferior a dos homens (42,7 horas), o tempo de dedicação das primeiras supera em quase cinco horas a do sexo oposto – 57,1 contra 52,3 horas.
“São questões como estas que pretendemos debater no próximo domingo, durante a programação especial que preparamos para marcar a passagem do Dia Internacional da Mulher”, informa a diretora do Sindicato Andréia Diniz.
Além do monólogo “A vida como ela é”, em que a atriz Carmélia Viana interpreta um dia na vida de uma mãe e trabalhadora, a programação inclui um debate sobre a condição feminina na atualidade.
Para a diretora do Sindicato, os dados divulgados pela OIT devem servir de estímulo para que as mulheres deem continuidade à luta por igualdade. “As estatísticas confirmam a necessidade de continuarmos intervindo junto às entidades sindicais, partidos políticos e outros movimentos organizados da sociedade, pois, se é verdade que avançamos muito nas últimas décadas, também é fato que nos restam muitos desafios a superar”, avalia.
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